O tomo do fogo é o primeiro tomo de estudos para os que desejam aprender sobre a magia oriental e a prática SEI RYUU, adentrando nos mistérios da china, índia,tibet,japão e outros países exóticos.Leitura obrigatória para quem deseja seguir na prática esotérica.
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Capítulo 6: Exercícios e Práticas.
Capítulo 六
Exercícios e Práticas.
“Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao Dojo, foi recebido em audiência pelo Sensei.
- O que você quer de mim? - perguntou-lhe o mestre
- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateka do país. Quanto tempo preciso estudar?
- Dez anos, pelo menos.
- Dez anos é muito tempo. - respondeu o rapa . E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos?
- Vinte anos.
- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço?
- Trinta anos.
- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior?
- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho. ”
Conto Zen.
OBJETIVO
Demonstrar os exercícios e práticas para o aprendizado dos conceitos fundamentais que envolvem a canalização e uso do Ki.
1.Prática respiratória.
Revisando conceitos antigos, para que um Sei Ryuu possa utilizar uma magia ele necessita canalizar, modelar e/ou perceber o Ki em si ou naquilo que está ao seu redor, mas o Ki é algo intangível e por tanto não pode ser controlado com a coordenação motora, a visão, o tato, o olfato, a audição ou até mesmo a intuição.
A única coisa que move o Ki de acordo com a nossa vontade é o desejo, no entanto, é normal que nós, humanos, que estamos acostumados ao mundo da consequência e não da causa, não conseguimos realizar algo que em teoria é tão simples: querer com a força de vontade de cada célula do nosso corpo. Sendo assim dois dispositivos auxiliam no controle da vontade: a respiração e a clarisensibilidade ou hipersensibilidade. A primeira será descrita agora, a segunda no mais adiante.
A correlação entre a respiração e a energia já era descrita pelos Hindus em seus textos sagrados desde tempos imemoriais, originando técnicas como o Pranayama, que faz uso da PRANA, a energia que está contida no Ar. Noção parecida tem os chineses quando denominaram Chi, o “sopro vital”, afinal enquanto respiramos transbordamos de energia e quando a respiração cessa, sobrevêm a morte. A grosso modo a respiração conduz o sangue pelo corpo que está carregado de células, as unidades básicas da vida, de forma análoga aos Tenketsus, os canais de energia, sendo assim quando respiramos inconscientemente estamos circulando a energia pelo corpo.
Assim sendo, faz-se necessário aprender a respirar corretamente, pois a qualidade da respiração, a forma e a quantidade de ar servem como um mecanismo primário para conduzir o Ki. As técnicas de respiração aqui descritas são herdadas de várias técnicas orientais, como a yoga, Chi Gong (Chi Kung), Pranayama e outras.
A forma como a maioria respira normalmente utiliza apenas ¾ do pulmão, o que não é interessante para a prática dos Sei Ryuu’s, pois limita a irrigação do sangue no corpo e a pressão além de não permitir alguns fenômenos específico do corpo como o controle dos órgãos autônomos (coração, pulmões e outros). Talvez o maior problema seja conter a respiração de um Sei Ryuu, pois muitas vezes significa conter o seu Ryouki e por consequência a Kiatsu.
A primeira coisa a ser aprendida é a respiração diafragmática (na verdade uma versão mais simples e prática) que utiliza TODO o pulmão e prepara o discípulo para reunir uma maior quantidade de energia do que está acostumado a usar.
1º) Sente-se confortavelmente (se conseguir a postura de lótus melhor ainda).
2º) Detenha seu olhar no horizonte e coloque a ponta da língua no céu da boca mas só encostando, sem fazer força.
3º) Inspire e expire pelo nariz bem devagar, o máximo que conseguir (leva-se tempo até acertar o ritmo)
Você deve agora colocar a mão no plexo solar (senão sabe aonde é deve ir até o capítulo sobre ki) e sentir ele de fato expandindo-se e contraindo com a sua respiração. Neste ponto a respiração diafragmática já está fazendo efeito.
Repita 10 ciclos (um ciclo é uma inspiração e uma expiração) e pare. O ideal é que aos poucos você modifique a sua respiração habitual por esta. Se começar a sentir dor de cabeça ou outras sensações estranhas pare o exercício e volte a sua respiração normal.
Uma vez que já tenha se acostumado ao exercício vamos complicar um pouco.
Aprendi esta técnica como “As 21 respirações purificadoras” e não me recordo no momento se é de origem tibetana ou hindu, mas ela nada mais é que um exercício de concentração e sensibilidade baseado na respiração, será muito bem de base para o próximo capítulo sobre exercícios de foco, a segunda característica importante do Sei Ryuu e que se torna a maior, uma vez que ele tenha se livrado do paradigma do corpo. Refaça todos os passos anteriores e continue da seguinte forma:
4º) Respire tentando sentir a região das fossas nasais, mais precisamente o inicio logo na entrada de ar do nariz, respire tentando captar as sensações no lugar (respire 3 ciclos);
5º) Respire agora tentando sentir o início da cartilagem do nariz na entrada de ar no crânio, aquela região onde os usuários de óculos os apoiando (respire 3 ciclos);
6º) Repita agora focando o centro da cabeça (respire 3 ciclos);
7º) Faça a mesma coisa na região da glote , tentando sentir a região e a passagem de ar (3 ciclos );
8º) Repita o exercício focando no fim da traquéia, próximo a clavícula ( 3 ciclos);
9º) Repita o exercício com o centro do peito, no meio da caixa torácica (3 ciclos);
10º) Repita o exercício com focando no plexo solar (3 ciclos);
11º) E por último tente focar as 8 partes do corpo ao mesmo tempo enquanto o ar entra nos pulmões fazendo todas as etapas consecutivamente (3 ciclos);
2. Foco.
É esperado que você já compreenda a respiração baixo ventre e possa fazer o exercício sem dificuldade. Baseado nele vamos continuar as práticas, desenvolvendo sentidos que todos nós temos, mas não percebemos devido ao nosso estilo de vida.
As Mahou’s podem ser divididas em 3 princípios: CRIAR (invocação/banimento da energia), CONTROLAR (alteração das propriedades da energia) e ENTENDER (captar/interpretar a energia). Para que possamos trabalhar cada aspecto é necessário a postura mental correta, pois como já explicamos, o Ki é controlado pela concentração mental aliado a respiração.
Existem dois estados mentais principais para a maioria das práticas: FOCADO E ATENTO DISPERSO.
O estado FOCADO é utilizado quando as Mahou’s têm como princípio CRIAR/CONTROLAR e tem como intuito manipular o Ki , seja reunindo, dissipando, ou modificando o seu estado. O estado DISPERSO é utilizando quando as Mahou’s têm como requisito ENTENDER.
Os próximos exercícios têm como objetivo demonstrar essa passagem de estado.
PARTE I – Desligando a atenção
Sente-se confortavelmente e relaxe. Inicie a respiração baixo ventre, se você ainda não a tornou sua respiração natural. Deixe a sua mente relaxar e pensar em qualquer outra coisa, problemas de trabalho, pessoas da sua família, lugares, lembranças do passado...deixe a sua mente viajar.
Este tipo de postura mental é conhecido como DISPERSO porque ele coloca a mente num estado passivo no qual a mente se abre para a recepção de qualquer tipo de energia, incluindo pensamentos, sentimentos ou imagens mentais. Baseando-se no conhecimento já estabelecido em capítulos anteriores onde comentamos a trama, é como se a mente começasse a percorrer todos os fios conectados a nós em ordem aleatória, captando o tipo de energia sendo transportada na trama ao nosso redor, uma energia leva a outra, que leva a outra e a outra.
PARTE II – Estando Atento
Continue sentado e agora escolha um objeto ao seu redor. Crie uma imagem dele em sua mente e não permita que nenhum outro pensamento ocupe o seu lugar. Perceba a cor, a textura, o brilho, as formas e tudo mais nele durante o maior tempo possível. Se algum outro pensamento tomar conta, repita o exercício ou encerre a prática.
O estado atento tem por objetivo organizar a mente, que num estado natural encontra-se agitada, mudando de um pensamento para o outro, às vezes mais de um ao mesmo tempo, num único pensamento que concentra toda a vontade do corpo e concentra a energia onde a mente esta focada (Dharana).
PARTE III – A mudança de estado
Vamos agora reunir um pouco os dois primeiros exercícios para aferir alguns resultados:
A mente deve estar em estado disperso e em seguida mudar para o estado focado nas diversas partes do corpo abaixo. Mantenha a atenção no local e se permita perceber as sensações nos locais indicados:
• Orelha Esquerda;
• Ponta do Nariz;
• Olho Direito;
• Cotovelo esquerdo;
• Joelho Direito;
• Dedo mindinho do pé esquerdo;
• Cérebro;
• Garganta;
• Coração;
• Intestino Grosso;
• Órgãos Genitais;
• Mãos (as duas ao mesmo tempo);
Muito provavelmente você deve ter sentido um formigamento ou uma sensação como se algo invisível estivesse no local onde você se concentrou. Isto se deve a concentração de Ki no local. Conclui-se que o Ki flui de acordo com a força de vontade do conjurador. A energia que normalmente está presente na superfície do nosso corpo e constitui parte da aura foi movida e concentrada num único ponto para cada ponto de contração neste exercício.
PARTE IV – Focando intencionalmente
Chegamos agora a uma parte um pouco perigosa do processo. Não importa o que ou como, não encoste em ninguém, nem mesmo em você antes de lavar as mãos ou tocar o chão quando estiver fazendo este exercício. A energia gerada no exercício anterior não é nada comparada com a energia que você vai concentrar agora, primeiro porque vai utilizar Chakras de amplitude semelhante aos que estão na Linha do Hara, no caso, os Chakras da mão e segundo porque o tipo de energia que vai desenvolver não é modulada ou tem fim específico, o que pode gerar uma energia que tem qualquer efeito possível.
Continue a com a respiração baixo ventre e aproxime as mãos como se fosse bater palmas (as palmas viradas uma pra outra) separadas a umas distância de 10 cm. Imagine que uma luz dourada no centro do peito segue pelos braços até as mãos onde os raios são disparados de uma mão contra a outra. Apesar da visualização tentem manter o foco nas mãos. Provavelmente vocês vão sentir as mãos ficarem quentes, ocorrer formigamento e a mão pode começar a ser atraída ou se afastar (isso depende das polaridades entre o lado esquerdo e direito do corpo).
Com esses exercícios é fácil concluir que o Ki é conduzido por meio de uma disciplina mental e que a prática leva a percepção da existência dessa energia e os seus padrões de fluxo no corpo.
3. Circular e Explodir a Energia.
O Ki é gerado nos Chakras quando o Ki Celeste desce dos planos superiores pelo Chakra Coronário e é decomposto em diversas ondas a cada passagem pelos outros Chakras. Estas energias decompostas fluem por meio dos canais (em algumas pessoas da direita pra esquerda, para outros da esquerda para direita, embora se tenha a convenção de que homens fluem da direita para esquerda e mulheres o oposto).
As técnicas de circulação de energia (Kekkouki) permitem que o processo normal de decomposição e circulação de Ki nos Tenketsus aumente numa quantidade supra-natural irrigando o ser com energia em áreas onde uma pessoa sem conhecimento e treinamento não possui e despertando funções que estavam até anteriormente estavam adormecidas. Ademais, este procedimento provoca o incremento natural de acumulação do Ki nas extremidades do corpo, principalmente as que possuem Tsubos Maiores (Chakras que não estão na Linha do Hara) como os Chakras das mãos e dos pés, o que aliada as técnicas de concentração de Ki (Atsumeruki) permitem que o adepto produza e reúna uma grande quantidade de energia. Os exercícios de Pequena e Grande Circulação demonstram esse princípio.
Exercício – Pequena Circulação
De pé, com a ponta da língua no céu da boca, e olhar fixo no horizonte, alinhe seus pés paralelos aos ombros (abra as pernas até que eles estejam alinhados) e coloque as mãos em cima das coxas.
1º) vire suas palmas para cima com os dedos virados um para outro e traga as mãos até a altura do peito como se estivesse erguendo um vaso, segurando-o por baixo. Inspire lentamente até que as mãos cheguem à altura desejada (é normal que os braços flexionem nesse exercício);
2º) Uma vez atingida a altura do peito vire as palmas das mãos para baixo e expire vagarosamente enquanto as abaixa lentamente como se estivesse empurrando algo para baixo. Ao chegar próximo as coxas vire-a novamente para cima e recomece. Faça 10 ciclos.
Você deve notar formigamento e “choques” nas mãos. As palmas provavelmente estão vermelhas, com pontos brancos, isso significa aumento no fluxo de sangue e reunião da energia por meio do acumulo nas extremidades. Esse exercício se chama Pequena Circulação que canaliza o funcionamento dos Chakras do centro do corpo. O próximo exercício é o de Grande Circulação.
Exercício 2 – Grande Circulação
Repita o mesmo processo de preparação do exercício 1.
1º) Ao contrário do anterior não suba as mãos verticalmente, mas enquanto inspira lentamente vá abrindo os braços como um polichinelo, fazendo um longo circulo até que elas fiquem acima da cabeça;
2º) Vire as palmas das mãos e semelhante ao exercício anterior traga-as junto ao corpo, descendo-as verticalmente, expirando lentamente. Repita 10 ciclos.
Diferente do primeiro exercício ele não trabalha só a região central do corpo, mas a região central e superior do corpo. Este exercício pode alterar um pouco a pressão dos praticantes, portanto ao menor sinal de tontura, pare o exercício.
Estes exercícios sempre devem ser praticados antes das práticas esotéricas Sei Ryuu’s, pois preparam os canais para receber a carga de energia decorrente das explosões de Ki, que iremos discutir agora.
A explosão de energia (Bakuhatsuki) é um fenômeno no qual as partículas de Ki (Mijinki, os átomos de Ki) são aceleradas com tanta força que saltam do ser e são disparadas para o infinito. Esse processo ocorre quando o fenômeno de transformação do Ki celeste é feito de maneira abrupta de forma que a energia não tem tempo de seguir pelo fluxo de canais e salta para fora do corpo, o corpo ascende como uma lâmpada e luz desprende-se para todos os lados. Esse fenômeno tem mais consequências negativas do que positivas quando ocorre em escala generalizada no ser.
A energia explodida é gasta e não pode ser recuperada, a aura desaparece temporariamente (ela também foi projetada junto com o resto da energia) e o ser fica desprotegido, além de esgotado (perceberão que é praticamente impossível explodir toda a energia mais do que 10 vezes no exercício abaixo e se sentir bem), no entanto se a explosão for controlada (apenas em algumas regiões do ser) e direcionada pela concentração mental, é capaz de gerar efeitos incríveis, afetando energias que estão no mundo exterior, ou seja, fora da concepção do ser.
O exercício abaixo tem por objetivo explodir a energia numa região controlada (no caso as mãos). Recomendo fortemente seguir a risca tudo que for escrito, não praticar quando estiver se sentindo mal e efetuar uma pausa (2 minutos) entre cada um dos ciclos. É importante lembrar que quando estamos praticando com energia é importante não tocarmos objetos e pessoas para que a energia não fique impregnada nelas e possa ser prejudicial em longo prazo.
Exercício de Explosão - Empurrando o Armário.
Para este exercício utilizaremos a mesma posição inicial dos exercícios de circulação: língua no céu da boca, olhar no horizonte, pés na altura dos ombros e mãos apoiadas nas coxas.
1º) Como se estivesse estendendo um cobertor, enquanto inspira rapidamente traga as mãos até o peito deslizando acima do corpo com as palmas viradas para baixo até a altura do peito prenda a respiração;
2º) Expire o ar rapidamente pela boca enquanto empurra ambas as mãos para frente com força como estivesse empurrando um armário imaginário muito pesado até que acabe o ar onde você deve abaixar as mãos com os braços esticados e repetir o ciclo. Faça 5 ciclos.
Provavelmente você deve estar um pouco cansado. Isto é normal. O que ocorreu é que gerou muita energia rapidamente e aplicou sob uma parte do corpo que não está acostumada a sofrer esse stress. E que isto sirva de nota, praticar magia Sei Ryuu não estressa apenas o espírito ou a mente, mas o corpo também.
O método de canalização do Ki, ATSUMERU KI, KEKKOU KI ou BAKUHATSU KI são utilizados em determinadas sequências ou sobrepostos para provocar o efeito desejado. Todas as Mahou’s têm como base o primeiro princípio, mas geralmente sua finalização é enquadrada nos dois últimos tipos. No geral, doutrinas do elemento fogo se baseiam em BAKUHATSU KI(explosão de ki) enquanto magias do elemento terra se baseiam em KEKKOU KI(circulação o ki) e elemento água unicamente em ATSUMERU KI(absorção de ki).
4.A tríade.
Segundo a religião japonesa Shinto, diferente da versão platônica, o Universo possui três elementos básicos, o Fogo (Hi), Água (Mizu) e Terra (Tsuchi) que deram origem ao Universo e os plano físico, espiritual e divino ou físico, mental e espiritual.
Na magia Sei Ryuu estes elementos (fogo, terra e água) representam nessa ordem os três aspectos da magia comentados anteriormente e controlar e demonstrar esses aspectos é o mínimo que um discípulo proficiente deve fazer antes de sua iniciação. Estas magias pertencem a doutrina do corpo (Tai no Oshieru), divisão entre as Mahou’s que permite manipular as características do próprio corpo ou dos de outras pessoas.
Os elementos também versam muito a respeito das aspirações do praticante, sendo não raramente associados aos Dharmas (nossa missão enquanto seres espirituais). Os regidos pelo elemento fogo (quando digo regido, me refiro ao talento nato para uso) pertencem ao Clã dos Guerreiros (Takeshi) e utilizam sua magia para defender os seus ideais e valores, no entanto, seu maior defeito é o autocontrole, muitas vezes não sabendo diferenciar justiça de vingança. Ao Clã dos Sábios (Hijiri) foi consagrado o elemento água e se dedicam na compreensão de todas as coisas e os mistérios ainda não revelados, no entanto seu maior defeito reside na sua megalomania, quando querem conhecer todas as coisas sem antes conhecer a si mesmos. Por último, o Clã dos Artífices (Takumi), os alquimistas que a tudo modificam ou fazem permanecer, inigualáveis na confecção de itens encantados (adagas, rituais, mandalas, unguentos e demais objetos de magia e ritualística) tem seu principal defeito no perfeccionismo, que os levam a uma busca interminável ou os deixam na inercia.
A SANMITAI NO HIU, a tríade do dragão, um conjunto de 3 magias, cada qual representando uma dessas forças. É DEVER do aprendiz refinar essas três técnicas à fim de misturá-las numa sequência específica formando uma nova magia chamada Shougekiha, necessária para o grau de iniciação no primeiro nível.
A primeira magia se chama CHIKARA NO HIU, Força do Dragão, e confere ao seu conjurante temporariamente uma força três vezes maior do que o normal, isto ocorre devido ao aumento do fluxo sanguíneo, que preenche os músculos com sangue, aumentando temporariamente a força. Esta magia é alinhada ao principio do fogo que irradia de cima para baixo em todas as direções como uma explosão, que de fato é o principio mais forte desta magia. Um mestre nessa magia pode fortalecer vários grupos musculares e praticamente todo o corpo, mas para este exercício iremos focalizar um ponto em específico.
ATENÇÃO: Os exercícios abaixo podem provocar acidentes, não nos responsabilizamos pela prática não atenta e acidente que as práticas possam vir a provocar, comece devagar, respeite o seu corpo e aumente a intensidade aos poucos.
Antes de iniciarmos a prática, aqueça com os exercícios aprendidos anteriormente por pelo menos 15 minutos.
1º) Tente suspender um objeto pesado nas dimensões de um sofá, uma cama ou um armário, algo que tenha dificuldade de levantar normalmente;
2º) Utilizando a respiração de "explosão de energia" feche o punho e sinta o braço transpirar o Ki como um fluído imaterial que emana do seu braço. MUITO CUIDADO, NÃO PERCA A CONCENTRAÇÃO, se isso acontecer a energia reunida será imediatamente liberada e o Mahou interrompida;
3º) Ainda sentindo a força fluindo pelos braços, tente novamente suspender o objeto,verá que ficou muito mais fácil, o braço parece estar infinitamente leve.
A próxima magia se chama TSUBASA NO HIU, as Asas do Dragão, ela permite realizar uma explosão de velocidade, tornando o indivíduo momentaneamente mais ágil e rápido, isto acontece porque ele consegue sincronizar o estado eletrônico de seus átomos, se movimentando quando a parte do corpo em questão está com os seus átomos mudando do estado estático para dinâmico, o que ocorre múltiplas vezes por segundo sem a percepção das pessoas, mas perfeitamente sensível ao discípulo que despertou o seu Ki.
1º) Escolha um objeto qualquer, de preferência oval e de material maleável, deixe-o em uma superfície plana. Coloque as mãos próximas ao objeto e repouse-a na superfície plana.
2º) Feche os olhos e concentre-se. Tal qual a arquearia zen, onde a flecha é que se dispara e não o arqueiro, espere até que do fundo do seu inconsciente uma vontade terrível lhe acometa de buscar o objeto, nesse momento libere a sua mão e busque o objeto o mais rápido que puder. Se fizer na hora errada, a Mahou não funcionará, isso depende da sua capacidade de entender, ou seja, captar a energia que fluí como uma onda e vibra entre você e todas as coisas, o próprio fluxo da matéria.
Por último, mas não menos importante: KUROGANE NO REIKI, a Aura de Ferro, ela permite contrair a matéria do corpo, reforçando algumas partes do corpo com uma dureza não normal.Esta magia é um pouco complicada e peço que façam com bastante calma ou vão se machucar.
1º) Abra a palma da mão e faça contato visual, inspire rapidamente e sinta a energia sendo retirada da região ao redor do seu braço, como se ele endurecesse, ficasse mais duro e pesado.
2º) Golpeie uma parede ou uma pilha de tijolos, extremo cuidado para não perder o foco entre a preparação da magia e golpear a parede, a magia se dispersará instantaneamente e você pode se machucar. Sempre mantenha a concentração e a energia focada.
(Seria interessante falar se cada mahou da tríade do dragão estivesse relacionada a algum dos elementos do Wu Xing)
5.A Onda de Choque.
Após treinar bem a Tríade do Dragão é necessário subir o nível para que possamos aprender uma magia complexa, ou magia composta. Magias compostas são formadas por duas ou três Mahou’s mais simples, e possuem um comportamento que se alterna enquanto a conjuração é feita, ou seja, a dinâmica de energia se modifica apresentando aspectos onde Fogo, Água e Terra se alternam a fim de completar a operação.
Shougekiha, ou Onda de Choque, é uma Mahou que permite ao conjurador direcionar parte da energia que circula na parte superior do seu corpo (em sua maioria no lado em que o mesmo tem a mão dominante, seja destro ou canhoto) para o Chakra de sua mão e disparar uma rajada de energia que se dispersa no ar horizontalmente, interferindo no fluxo de energia de cima para baixo ou de baixo para cima. Isto significa em termos práticos interromper o fluxo de energia dos seres vivos durante algum tempo (já que o nosso fluxo fluí de cima para baixo) e diminuir as emanações de algumas fontes de energia, que obedecem o mesmo princípio.
Gostaria de lembrar portanto que esta técnica foi desenvolvida com o intuito de desintegrar energia negativas e auxiliar nas práticas de medicina oculta, sendo jamais utilizadas para fins violentos. Os Sei Ryuu’s são por definição protetores e doadores de vida.
Assim sendo, prosseguimos com o conhecimento necessário. A primeira coisa a entender são os ciclos. A Mahou passa por três estágios, no primeiro, o estágio da Terra, ela concentra a energia no Chakra das mãos, e em seguida passa para o estado da Água, onde espera o pico de energia no corpo para em seguida passar à fase do Fogo onde é feito o disparo, e liberando a energia a acumulado junto com a respiração de explosão.
Antes, porém, de explorar os pormenores do processo, há a necessidade de rever alguns aspectos de postura e movimentação para exercício da magia. A primeira tem haver com a base (forma de apoiar o corpo) do conjurador ao executar a magia e para isso utilizaremos uma base bem conhecida pelos praticantes de Kung-Fu, o Gumbu (弓步, pronuncia-se “Kompu” O Arqueiro).

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